Cirurgia de Catarata: Guia completo antes de operar

Cirurgia de Catarata: Guia completo antes de operar

Receber o diagnóstico de catarata costuma misturar dois sentimentos: alívio por ter uma resposta para o que estava acontecendo com a visão e, ao mesmo tempo, um fio de ansiedade diante da palavra cirurgia. 

Este guia reúne a visão dos três Diretores Médicos da Oftalmolaser, Dr. Marcelo Hosoume, Dr. Douglas Luíz Pereira e Dr. José Aparecido Job Neto, explicando com a clareza o que todo paciente merece saber antes de sentar na cadeira de consulta, o que é a catarata, por que ela se desenvolve, quando a cirurgia é realmente indicada, quais são as opções de lente e o que esperar da recuperação da cirurgia de catarata.

Informação de qualidade transforma o medo em decisão consciente.

O que é a catarata e por que ela se desenvolve

O cristalino é a lente natural do olho. Ele fica posicionado logo atrás da íris e tem a função de focar a luz na retina, permitindo que enxerguemos com nitidez.

Na prática, a opacificação do cristalino funciona como um filtro que se torna cada vez mais espesso: a luz continua chegando ao olho, mas de forma difusa, o que compromete a nitidez da visão. É como olhar através de um vidro embaçado, o cenário continua lá, mas a definição se perde.

Embora o envelhecimento seja a causa mais comum, outros fatores também favorecem o surgimento da doença, entre eles diabetes descompensada, uso prolongado de corticoides, exposição solar intensa sem proteção, tabagismo e traumas oculares. Existe ainda a catarata congênita, presente já ao nascimento ou nos primeiros meses de vida, que exige avaliação pediátrica específica.

 Sintomas mais comuns: o que observar na visão

Os sintomas costumam se instalar de forma lenta, o que faz com que muitas pessoas demorem a perceber a mudança. Os sinais mais frequentemente relatados pelos nossos pacientes incluem:

  • Visão turva ou embaçada, que piora aos poucos;
  • Maior dificuldade para enxergar em ambientes escuros ou à noite;
  • Sensibilidade exagerada à luz do sol e aos faróis de veículos;
  • Halos ao redor de luzes, comuns ao olhar para faróis ou postes;
  • Cores que parecem menos vivas, com tons amarelados ou desbotados;
  • Necessidade repetida de trocar o grau dos óculos em curtos intervalos;
  • Visão dupla (diplopia) em apenas um dos olhos.

Por serem sintomas graduais, o acompanhamento oftalmológico regular é a ferramenta mais eficaz para identificar a catarata em estágio inicial, principalmente a partir dos 50 anos.

Causas e fatores de risco da catarata

A causa mais comum da catarata é o próprio envelhecimento do cristalino, a chamada catarata senil, mais frequente a partir dos 60 anos. Mas outros fatores aumentam a probabilidade de a doença surgir mais cedo ou evoluir mais rápido:
Diabetes mal controlado;

  • Uso prolongado de medicamentos à base de corticoides;
  • Exposição solar intensa e repetida sem proteção adequada (radiação UV);
  • Tabagismo;
  • Trauma ocular, mesmo antigo;
  • Cirurgia ocular prévia;
  • Histórico familiar (predisposição genética).

Existe ainda a catarata congênita, presente já ao nascimento ou nos primeiros meses de vida, que exige avaliação oftalmológica pediátrica específica e é tratada em detalhe mais adiante neste guia. Pessoas com qualquer um dos fatores acima se beneficiam de avaliações oftalmológicas periódicas, mesmo sem sintomas.

Quando procurar um oftalmologista

Nem toda mudança na visão exige corrida ao pronto-socorro, mas nenhuma deve ser ignorada. Na prática, separamos em dois grupos:

Agende uma consulta de rotina se: você notou visão progressivamente embaçada, mais dificuldade para dirigir à noite ou trocas frequentes de grau dos óculos sem melhora real. São sinais típicos de evolução gradual, que merecem avaliação, sem urgência de horas, mas sem procrastinar meses.

Procure atendimento sem demora se: a perda de visão for súbita, unilateral, acompanhada de dor, vermelhidão intensa ou fora do padrão ou flashes de luz. Esses sinais podem indicar outra condição ocular além da catarata, algumas com necessidade de atendimento imediato, por isso qualquer alteração visual persistente já justifica avaliação com um oftalmologista.

Recomendamos exames oftalmológicos completos pelo menos uma vez por ano a partir dos 50 anos, mesmo sem sintomas, o diagnóstico precoce facilita o planejamento do tratamento e preserva a qualidade de vida.

Catarata tem cura? Quando a cirurgia é indicada

Essa é uma das perguntas que mais ouvimos no consultório: “já está na hora de operar, doutor?”

Não existe colírio, medicamento ou exercício visual capaz de reverter a opacidade do cristalino. A cirurgia é o único tratamento que resolve a catarata, substituindo o cristalino opacificado por uma lente intraocular transparente.

Isso não significa que toda catarata precise ser operada de imediato. A indicação cirúrgica considera principalmente o impacto da doença na rotina do paciente: dificuldade para dirigir, ler, trabalhar ou reconhecer rostos são sinais de que a visão já está sendo comprometida de forma relevante.

Em alguns casos, a cirurgia pode ser antecipada mesmo com sintomas leves, sobretudo quando a catarata dificulta o acompanhamento ou o tratamento de outras doenças oculares, como o glaucoma, que também demanda tratamento, ou quando faz parte da estratégia terapêutica definida pelo oftalmologista. A decisão final é sempre construída em conjunto entre paciente e médico, após avaliação clínica detalhada.

Avaliação pré-operatória: como é feita?

Antes de qualquer indicação cirúrgica, é necessário passar por uma avaliação oftalmológica completa. Esse processo costuma envolver:

  • Exame de refração e medida da acuidade visual;
  • Exame com lâmpada de fenda, para avaliar diretamente o grau de opacidade do cristalino;
  • Mapeamento de retina (fundoscopia), para descartar outras causas de perda visual;
  • Biometria ocular de alta precisão;
  • Exames complementares, quando necessário, para avaliar a saúde geral do olho.

Você pode conferir o passo a passo desse processo na página sobre o  check-up pré-operatório para cirurgia de catarata.

A biometria merece destaque especial: é ela que permite calcular o grau da lente intraocular que substituirá o cristalino, etapa determinante para o resultado visual do procedimento. Também é nesse momento que o oftalmologista avalia o histórico de saúde do paciente, incluindo diabetes, uso de medicações e cirurgias oculares anteriores, para planejar o procedimento com segurança. Quem convive com diabetes encontra orientações específicas no artigo sobre cirurgia de catarata em pacientes diabéticos.

Como funciona a cirurgia de catarata

A técnica mais utilizada atualmente é a facoemulsificação, um dos procedimentos cirúrgicos mais realizados na oftalmologia. O princípio é simples: remover o cristalino opaco e substituí-lo por uma lente intraocular transparente. Conheça o tratamento de catarata oferecido pela Oftalmolaser e a estrutura disponível para a cirurgia.

De forma resumida, o processo segue estas etapas:

  • Anestesia: aplicada em colírio ou por bloqueio local, permite que o paciente permaneça acordado, porém sem dor.
  • Microincisão: o cirurgião realiza uma pequena abertura na córnea, geralmente inferior a três milímetros.
  • Fragmentação do cristalino: uma sonda de ultrassom fragmenta o cristalino opacificado em pedaços pequenos, que são aspirados.
  • Implante da lente intraocular: a nova lente é inserida dobrada pela mesma microincisão e se posiciona no local do cristalino removido.
  • Fechamento natural: na maioria dos casos, a incisão se autossela, sem necessidade de pontos.

O procedimento costuma durar entre 15 e 30 minutos por olho, e o paciente recebe alta no mesmo dia. Na maioria dos casos, operamos um olho por vez, com intervalo de alguns dias a uma semana, o que permite acompanhar a recuperação do primeiro olho antes de realizar o segundo procedimento.

Quais são as opções de lente intraocular?

A escolha da lente intraocular é uma das etapas mais importantes do planejamento cirúrgico, pois impacta diretamente a qualidade visual após a cirurgia. Não existe uma lente universalmente melhor: a indicação depende do estilo de vida, das condições oculares e das expectativas de cada paciente.

 

Lente monofocal

Corrige a visão para uma única distância, geralmente longe. É a opção coberta pela maioria dos convênios médicos e costuma exigir o uso de óculos para leitura e atividades de perto.

Lente tórica

Indicada para pacientes com astigmatismo relevante, corrige simultaneamente a opacidade do cristalino e o grau de astigmatismo, reduzindo a dependência de óculos para longe.

Lente multifocal ou trifocal

Distribui o foco em diferentes distâncias, longe, intermediário e perto, com o objetivo de reduzir a dependência de óculos no dia a dia. É uma categoria de lente premium, cuja indicação depende de avaliação individualizada, não sendo adequada para todos os perfis.

Lente de foco estendido (EDOF)

Representa uma evolução das lentes multifocais, oferecendo uma faixa de foco mais contínua e, em geral, menor percepção de halos noturnos. Costuma ser considerada para quem passa longos períodos diante de telas ou dirige à noite.

Não existe resposta universal para “qual lente é a certa”: a indicação depende de uma avaliação detalhada dos seus olhos, da sua rotina e das suas expectativas. Por isso, a escolha é feita após uma avaliação oftalmológica completa e exames específicos que possam definir a lente intraocular mais adequada para cada paciente, de forma personalizada.

Recuperação: o que esperar no pós-operatório

A recuperação costuma ser tranquila para a maior parte dos pacientes, com percepção de melhora visual já nas primeiras 24 a 48 horas.

Primeiros dias após a cirurgia

Sensações leves de ardência, lacrimejamento ou sensação de areia no olho são esperadas e tendem a desaparecer rapidamente. A visão pode permanecer um pouco embaçada nos primeiros dias, o que também faz parte do processo natural de cicatrização. O uso de colírios antibióticos e anti-inflamatórios, conforme prescrição médica, é essencial nessa fase, assim como evitar coçar o olho, nadar ou se expor a ambientes com poeira durante o período de recuperação orientado pelo médico.

Retorno gradual às atividades

  • Atividades leves (TV, leitura, caminhada): 1 a 2 dias.
  • Trabalho em escritório ou uso de telas: geralmente de 3 a 5 dias.
  • Atividade física moderada: a partir de 2 a 3 semanas, com orientação médica.
  • Natação e mergulho: liberação após avaliação médica, em geral 4 semanas.

É importante procurar atendimento imediato caso surjam dor intensa, perda súbita de visão, vermelhidão fora do esperado ou secreção purulenta. São situações pouco frequentes, mas que merecem avaliação sem demora.

Catarata congênita: cuidado redobrado em bebês

A catarata também pode afetar recém-nascidos e bebês, situação conhecida como catarata congênita. Nesses casos, o diagnóstico precoce é decisivo: quando não identificada e tratada a tempo, a opacidade do cristalino pode interferir no desenvolvimento visual da criança e favorecer o surgimento de ambliopia, popularmente chamada de olho preguiçoso.

Por esse motivo, o teste do olhinho, realizado ainda na maternidade, é uma etapa fundamental de rastreamento, e qualquer suspeita de alteração visual em bebês deve ser investigada por um oftalmologista especializado em oftalmologia infantil.

Quem cuida da sua visão na Oftalmolaser

O tratamento da catarata na Oftalmolaser é conduzido por um corpo clínico altamente qualificado, coordenado por três Diretores Médicos com ampla experiência em cirurgia de catarata. Conheça a trajetória dos nossos especialistas e do corpo clínico completo.

 

Dr. Marcelo Hosoume

Diretor Médico e um dos fundadores da Oftalmolaser, formado pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), onde concluiu graduação, residência e especialização em retina, além de atuar como cirurgião de catarata e glaucoma, com foco em casos de alta complexidade. CRM/SP 124.763, RQE 41.845; CRM/MS 9.944, RQE 5.649.

Dr. Douglas Luíz Pereira

Diretor Médico responsável pela unidade de Três Lagoas (MS), graduado pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, com especialização em oftalmologia e Fellowship em retina clínica e cirúrgica e em catarata. CRM/SP 163.967, RQE 106.584; CRM/MS 12.203, RQE 7.850.

Dr. José Aparecido Job Neto

Diretor Médico formado pela UNIFESP, com residência em oftalmologia e especialização em transplante de córnea, catarata e cirurgia refrativa, além de aperfeiçoamento pela Harvard Medical School. Atua como preceptor do Ambulatório de Córnea e Catarata do Hospital Regional de Presidente Prudente. CRM/SP 176.659, RQE 79.905; CRM/MS 12.328, RQE 7.293.

Atendimento em Presidente Prudente, Três Lagoas e região

Com presença em diferentes cidades, a Oftalmolaser amplia o acesso ao atendimento oftalmológico especializado em toda a região, atendendo pacientes em Presidente Prudente, Três Lagoas, Bastos, Bataguassu, Santo Anastácio, Teodoro Sampaio.

A clínica oferece uma estrutura completa para avaliação pré-operatória, escolha personalizada da lente intraocular e acompanhamento pós-operatório. Além disso, utiliza tecnologia de biometria óptica de alta precisão para o cálculo da lente, proporcionando mais segurança e previsibilidade ao procedimento de cirurgia de catarata.

 

Antes de agendar sua avaliação

A cirurgia de catarata é um procedimento consolidado na oftalmologia. Ainda assim, cada caso é único, e o primeiro passo continua sendo o mesmo: uma avaliação oftalmológica completa, feita por um especialista, para entender o estágio da catarata e planejar o tratamento mais adequado à sua rotina e às suas necessidades visuais.

Se você apresenta sintomas de catarata ou recebeu a indicação para cirurgia, agende sua avaliação com a Oftalmolaser pelo WhatsApp (18) 99790-454, ou pelo (18) 3222-6363. Nossa equipe está preparada para avaliar seu caso e indicar o tratamento mais adequado para a sua visão.

Perguntas frequentes sobre cirurgia de catarata

A cirurgia de catarata dói?

Não. A anestesia local, aplicada em colírio ou por bloqueio, elimina a dor durante o procedimento. Alguma sensação de pressão é possível, mas não chega a causar desconforto relevante.

Quanto tempo dura a cirurgia?

Em geral, entre 15 e 30 minutos por olho. Os dois olhos costumam ser operados em datas separadas, conforme a avaliação do oftalmologista e as características de cada paciente.

Existe idade mínima ou máxima para operar?

Não há um limite fixo. A catarata pode surgir em qualquer fase da vida, inclusive em bebês, e a indicação cirúrgica é sempre baseada no impacto clínico e visual, não apenas na idade do paciente.

A catarata pode voltar depois da cirurgia?

O cristalino removido não retorna, já que é substituído pela lente intraocular. Contudo, a cápsula que sustenta essa lente pode opacificar meses ou anos depois, quadro chamado de catarata secundária. O tratamento, quando necessário, é feito com laser, em procedimento rápido de consultório.

Catarata tem cura sem cirurgia?

Não. Até hoje não existe colírio, suplemento, exercício ocular ou tratamento clínico com eficácia comprovada para reverter a opacidade do cristalino. Por isso, qualquer produto que prometa “curar” a catarata sem cirurgia deve ser visto com cautela. Atualmente, a cirurgia é o único tratamento com eficácia comprovada para remover a catarata e restaurar a transparência do eixo visual.

Convênios cobrem a cirurgia de catarata?

A maioria dos convênios cobre a cirurgia com lente intraocular monofocal, quando há indicação clínica. Lentes premium, como as multifocais e tóricas, costumam ter cobertura diferenciada conforme o plano. O ideal é consultar diretamente a clínica sobre as condições do seu convênio.

É possível não usar mais óculos depois?

Depende do tipo de lente escolhida e das condições visuais de cada paciente. Lentes multifocais e EDOF podem reduzir a dependência de óculos, mas essa redução não é garantida para todos os perfis, e a avaliação individual é sempre necessária.

Envie seu comentário

Agendar consulta